Logo no início, é importante salientar que muitos incêndios começam a partir de pontos simples, como o uso incorreto de benjamins e extensões. Em condomínios com fiações antigas e sobrecarregadas, o perigo aumenta. O uso de equipamentos modernos como cooktops, fornos elétricos, ar-condicionado e chuveiros de alta potência em instalações antigas, sem atualização da rede elétrica, gera sobrecarga, aquecimento dos fios e, por consequência, curtos-circuitos.
Outro ponto é a diferença entre os disjuntores antigos (padrão NEMA) e os modernos (padrão DIN). Enquanto os antigos são mais lentos e podem falhar em situações críticas, os modelos atuais possuem dupla proteção, atuando de forma mais rápida tanto em casos de sobreaquecimento quanto de curto-circuito. A recomendação é clara: nas residências e condomínios antigos, vale a pena substituir o disjuntor pelo modelo DIN, mais seguro e eficiente”.
Muitos prédios mais antigos, especialmente nas áreas centrais das grandes cidades, ainda operam com sistemas elétricos ultrapassados. Para o síndico que deseja modernizar essas estruturas, o primeiro passo é contratar um laudo técnico elaborado por engenheiro registrado no CREA. O profissional analisará desde o quadro de entrada até as unidades, verificando dimensionamento, bitolas, disjuntores e fiações.
Esse laudo é fundamental não apenas para planejar melhorias, mas também como documento de segurança jurídica, afinal, o síndico tem o dever legal de zelar pela integridade das áreas comuns e pela segurança coletiva. Além disso, o laudo ajuda a conscientizar os condôminos sobre a importância de atualizarem as instalações dentro das próprias unidades, especialmente quando instalam novos equipamentos de alta carga.
Um dos pontos mais negligenciados nos condomínios é a manutenção das portas corta-fogo. Por norma, elas devem ser vistoriadas a cada seis meses, garantindo o bom funcionamento das molas, dobradiças e travas. No entanto, é comum encontrar portas com regulagem incorreta, travadas, com molas excessivamente rígidas ou pintadas de forma inadequada, o que prejudica seu funcionamento.
As portas corta-fogo nunca devem ser pintadas nas dobradiças ou na lingueta da fechadura, pois isso compromete o movimento e pode impedir o travamento em caso de emergência, além disso, é importante que sejam lubrificadas periodicamente, utilizando produtos simples como WD40, para evitar desgaste e travamentos.
Outro erro frequente é a instalação de borrachas ou calços nas portas, feitos por moradores para reduzir o ruído do fechamento. Essa prática impede o fechamento completo e anula a função da porta, que é conter o avanço da fumaça e do fogo. O ideal é o uso de molas aéreas reguláveis, que controlam o fechamento sem causar impacto.
A formação da brigada de incêndio é obrigatória e prevista nas normas de segurança, mas ainda enfrenta resistência dos moradores. Em muitos condomínios, síndicos precisam recorrer a incentivos, como sorteios e premiações, para conseguir voluntários. Ainda assim, essa equipe é fundamental: é quem atua nos primeiros minutos de uma ocorrência, controlando princípios de incêndio e orientando evacuações.
Esse treinamento envolve o uso correto de extintores, manuseio de hidrantes, primeiros socorros e evacuação segura. Em um incêndio, a diferença entre uma ocorrência controlada e uma tragédia está na rapidez e no preparo das pessoas.
O ideal é que pelo menos um morador por andar e 80% dos funcionários participem da brigada. Além disso, é importante que o condomínio mantenha atualizado um cadastro com informações sobre idosos e pessoas com mobilidade reduzida, de forma que, em caso de sinistro, o socorro possa ser direcionado de forma eficiente.
A prevenção de incêndios e os cuidados com a rede elétrica não são apenas questões técnicas, são atos de responsabilidade coletiva. Modernizar instalações, manter portas corta-fogo em boas condições, treinar equipes e investir em inspeções regulares são medidas que salvam vidas.
Síndicos e condôminos devem compreender que segurança não é custo, é investimento. E quando cada um faz sua parte, o condomínio se torna um lugar mais tranquilo, eficiente e protegido para todos.
Um tema de extrema relevância para síndicos e profissionais da área condominial é a relação entre incêndios e instalações elétricas, sendo de fundamental importância a conscientização dos síndicos sobre o assunto, lembrando que muitas ocorrências de incêndio poderiam ser evitadas com simples medidas de manutenção e modernização das instalações elétricas.
Num estudo comparativo entre dois ambientes simulados, um com móveis antigos de madeira e outro com materiais sintéticos e laminados, mais comuns nas residências modernas, o resultado foi impressionante: enquanto o ambiente com móveis de madeira demorou quase 25 minutos para ser completamente tomado pelo fogo, o ambiente com móveis sintéticos levou menos de três minutos para atingir o mesmo nível de combustão.
Isso ocorre porque os materiais modernos contêm grande quantidade de resinas e compostos plásticos, altamente inflamáveis e produtores de fumaça tóxica. A diferença evidencia a importância de agir rapidamente em casos de princípio de incêndio e, sobretudo, de prevenir situações de risco nas instalações elétricas.
Um dos principais fatores que levam ao surgimento de incêndios não é exatamente o “curto-circuito”, como muitos acreditam, mas sim a sobrecarga elétrica causada por dimensionamento incorreto de fios e disjuntores.
A responsabilidade do síndico em casos de falha de manutenção depende da origem do problema. Se o defeito decorre da falta de manutenção periódica, o síndico pode ser responsabilizado; porém, se a ocorrência teve participação de condôminos, trata-se de descumprimento individual das normas condominiais.
Para encerrar, prevenir é o melhor caminho. Cuidar das instalações elétricas, manter portas corta-fogo em perfeito estado e garantir a formação da brigada de incêndio são atitudes que salvam vidas e preservam patrimônios. A segurança condominial começa pela conscientização e pela ação proativa de todos.
