A importância da manutenção predial

A manutenção predial é, sem dúvida, a principal ferramenta para preservar a vida útil dos sistemas construtivos e assegurar a segurança, o conforto e a valorização do imóvel. Mas, afinal, o que é durabilidade e o que é vida útil? A durabilidade diz respeito à capacidade de um sistema manter suas características físicas e funcionais ao longo do tempo, sendo o “bom funcionamento”. Já a vida útil representa o período durante o qual aquele sistema pode desempenhar adequadamente seu papel, sem comprometer a segurança ou o desempenho geral da edificação. Em outras palavras, cuidar da durabilidade é investir em aparência e funcionamento; cuidar da vida útil é garantir a sobrevivência do sistema como um todo.

Uma gestão eficiente de manutenção envolve três tipos principais de intervenção: preventiva, preditiva e corretiva. A manutenção preventiva é aquela realizada antes da ocorrência de falhas, com o objetivo de evitar danos e gastos maiores no futuro. É o caso da lavagem de fachadas, recomendada uma ou duas vezes por ano para conservar rejuntes e revestimentos e evitar o aparecimento de fungos e infiltrações.

Já a manutenção preditiva está relacionada ao monitoramento e acompanhamento do desempenho dos equipamentos, como bombas de recalque, elevadores e sistemas de esgoto. Por meio de verificações periódicas e medições técnicas, é possível identificar sinais de desgaste antes que o problema se agrave. Infelizmente, muitos condomínios ainda adotam uma postura reativa: só buscam assistência quando o sistema para de funcionar. Isso gera custos elevados e transtornos que poderiam ser evitados com planejamento.

Por fim, a manutenção corretiva é a que ocorre após o surgimento de uma falha, o que inevitavelmente implica gastos maiores e, muitas vezes, a necessidade de substituir componentes que poderiam ter sido preservados com ações preventivas.

Para organizar todas essas atividades, existe um instrumento fundamental: o Plano de Manutenção Predial (PMP). Ele funciona como um cronograma técnico detalhado, que lista todos os sistemas construtivos do edifício, desde o telhado e para-raios até esquadrias, bombas e redes hidráulicas, definindo a periodicidade das manutenções, os procedimentos necessários e o tipo de mão de obra adequada para cada serviço. Um bom plano de manutenção considera, inclusive, as condições climáticas de cada época do ano. Por exemplo, as limpezas de calhas e caixas de drenagem devem ocorrer antes do período chuvoso, para evitar obstruções e infiltrações, enquanto os reparos de fachada e pintura são mais adequados para o período seco.

Outro ponto essencial é distinguir mão de obra capacitada de mão de obra especializada. Alguns serviços podem ser executados pela própria equipe do condomínio, desde que devidamente treinada, como a limpeza de calhas, caixas e canaletas, ou pequenas pinturas. No entanto, intervenções que envolvem altura, estruturas, fachadas ou sistemas elétricos e de para-raios exigem profissionais especializados e certificados conforme as normas de segurança, como a NR 35 para trabalhos em altura, por exemplo.

Todos os serviços de manutenção possuem periodicidades específicas. O sistema de para-raios, por exemplo, deve ser inspecionado anualmente, com verificação de funcionamento e substituição de componentes corroídos. Já os sistemas hidrossanitários, especialmente as caixas de gordura, precisam de limpezas regulares, complementadas, uma vez por ano, com hidrojateamento para remover crostas internas e evitar o entupimento das tubulações.

Na manutenção das fachadas, além da lavagem, é indispensável o uso de produtos adequados. No caso das fachadas pigmentadas (as chamadas monocapas), recomenda-se a aplicação de hidrofugante após a limpeza, criando uma barreira protetora que impede a absorção de água e prolonga a durabilidade do revestimento. Já as esquadrias devem ser vedadas periodicamente, as das áreas privativas são de responsabilidade dos moradores, enquanto as de áreas comuns cabem ao condomínio.

É importante lembrar também das juntas de movimentação, ou dilatação, nas fachadas, responsáveis por absorver dilatações térmicas da estrutura. Elas devem ser vedadas com selantes específicos, resistentes à radiação solar e às intempéries. Esses produtos não são de uso comum e devem ser adquiridos junto a fabricantes especializados, com especificações técnicas adequadas a cada tipo de sistema.

Manter um edifício em boas condições exige planejamento, conhecimento técnico e responsabilidade. A ausência de um plano de manutenção pode transformar pequenas falhas em grandes prejuízos. Investir em manutenção preventiva e preditiva, contar com profissionais especializados e seguir as normas técnicas são atitudes que garantem não apenas a durabilidade e a vida útil das edificações, mas também a segurança e o bem-estar de todos os seus usuários.

Vivam a vida, e até a próxima.

Ivan Horcaio

Professor e palestrante com mais de 20 anos de atuação nas áreas do Direito Condominial e Direito Imobiliário, é autor de mais de 12 obras jurídicas, atuando junto a condomínios, administradoras de condomínios e imobiliárias

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